UM OUTRO CAMINHO PARA A PSICANÁLISE

O mundo mudou desde o advento da psicanálise. Desde que Freud nos deixou esta herança, temos visto aceleradas, prodigiosas e profundas transformações em todas as áreas e dimensões: sociais, econômicas, culturais, éticas, espirituais, psicológicas, científicas.

O processo de transformação é inerente à condição da humanidade e nestes 34 anos de prática, pude viver as transformações também na psicanálise, que vem sofrendo ressignificações em sua teoria, gerando mudanças na técnica e na aplicabilidade prática.

Lembro-me quando da fazia a formação analítica, nós, psicanalistas, torcíamos o nariz quando sabíamos de algum “analista” que atendia menos que três vezes por semana. Dizíamos sem titubear: “Isto não é psicanálise”.

Embora naquela época eu tenha compactuado com muitos pensamentos radicais, hoje me considero eclética – gosto de me pensar holística – reconhecendo em mim quesitos necessários para considerar que pratico o que chamamos hoje de psicanálise contemporânea. Digo isto baseada no fato de ter uma formação pluralista, com base em diversas vertentes teóricas e técnicas, sem obedecer cegamente a qualquer uma delas. Estou hoje cursando uma pós-graduação em neurociências e pretendo fazer um mestrado eu neuropsicanálise!

Sinto-me hoje, com o direito de refutar leituras que não me tocam, de forma que venho, aos poucos, criando minha própria identidade com liberdade de assumir meu estilo pessoal.

Concordo com Bion quando ele diz que um analista deve ficar insatisfeito com a própria psicanálise, para que ele possa ampliar os seus conhecimentos e as suas capacidades de compreender e se vincular com o paciente. Vejo que muitos analistas hoje são assim. Conhecedores de uma rede de teorias, coerentes e complementares que embasam e permeiam o setting terapêutico.

As revisões se fizeram necessárias. Antigamente, o bom analista era medido pelo silêncio que produzia em “cena”. Atualmente, não restam mais dúvidas de que se trata de um método anacrônico, com um ranço de superficialidade que denota uma dificuldade do analista em manter um contato afetivo.

Os psicanalistas de hoje são menos herméticos, facilitando a empatia e abrindo-se ao outro numa via de mão dupla.

A psicanálise esteve, por muito tempo, encastelada em uma torre de marfim, mantendo distância das outras ciências, inclusive da psiquiatria, atraindo para si uma posição não muito simpática.

Numa visão mais holística do indivíduo, a psicanálise se depara com as vicissitudes das transformações do mundo, criando novos paradigmas para si, numa visão sistêmica da vida.

Desta forma, se depara com a angústia existencial do indivíduo moderno que, diferentemente da época freudiana, está confuso e perdido quanto à identidade, isto é, quem ele é, como deve ser, para o que e para quem ele vive. A crescente necessidade de busca pelo êxito social coloca-o em constante sobressalto.  Ter que cumprir as expectativas externas, exacerba a carga sobre os ombros, levando-o a questionar sua existência. Também a globalização, que subtrai as diferenças individuais, cria crises de identidade.

Diante de uma época mestiça, globalizada, pluralista, acrescentam-se à psicanálise, novos conhecimentos que facilitam as necessidades atuais de crescimento interno.

Desde que conheci as técnicas de abordagem do inconsciente através da regressão de memória, adotei este instrumento em minha clínica diária.

Nos primórdios da psicanálise, Freud tentou o método da hipnose induzida a fim de possibilitar catarses dos traumas reprimidos. Desiludiu-se com o método, pois não era bom hipnotizador e substituiu-o pela associação livre.

A descoberta recente é de que, sem utilizar indução hipnótica, podemos ainda assim ordenar ao inconsciente que se revele, utilizando uma técnica de alteração do estado de consciência, sem, no entanto, que o paciente esteja hipnotizado. Basta um relaxamento corporal com uma ordem verbal por parte do terapeuta.

Retornando ao ponto inicial de Freud, podemos fazer o levantamento arqueológico e retornar à fonte dos sintomas, utilizando, não a indução, mas a associação livre em estado alterado de consciência. Pedimos que se fale tudo o que vem à mente e decodificamos as imagens e ideias que surgem, através da análise.

Associando à decodificação, atuaremos com as interpretações conscientes e consequente atualização e elaboração dos significados do conteúdo produzido.

O resultado será o conhecimento profundo de si mesmo e, como consequência, as mudanças adjacentes a este reconhecimento acontecerão.

Mais recentemente, a filosofia da física quântica se abriu para nós e num advento transformador, podemos hoje perguntar quem somos nós e a resposta virá.

Unindo as três técnicas: associação livre, regressão de memória e alteração do estado de consciência atingindo outras camadas quânticas da realidade interna e externa, nasceu a Terapia Lumni, que desbrava o ser como nunca antes se pôde ser!

Carmem Farage

O jogo da baleia azul e outros recursos suicidas

As pessoas têm me perguntado com frequência o que penso sobre jogos na internet que estimulam pessoas, geralmente jovens adolescentes, a cometerem suicídio.

Realmente é algo que nos choca e é difícil ficar indiferente a isso sem exprimir algum sentimento negativo. Sentimos medo, impotência e uma sensação palpável de que o “mundo está perdido! ”.

Com o advento da tecnologia, o mundo muda rapidamente sem que a gente consiga acompanhar. Esta evolução acelerada provoca uma sensação de impotência muito grande, como se não pertencêssemos mais ao mundo. Olhamos para as novas gerações como se o que eles fazem e pensam estivessem longe demais de nós.

Diante disso, como vamos controlar nossos filhos adolescentes, se sequer entendemos sua linguagem virtual? Como vamos dar uma direção acertada e fazer interdições sobre algo que desconhecemos? Corremos o risco de proibir além da conta ou, ao contrário, permitir o que não deveríamos.

Pais, professores, autoridades, simplesmente não sabem o que dizer. Proibir funciona?

Bem, antes de qualquer coisa, preciso dizer o que observo. Quando olho para as pessoas de um modo geral; quando analiso pessoas dentro do meu consultório, observo o quanto é fácil colocar a culpa fora de nós. Ninguém gosta de sentir culpa, então, estamos sempre procurando os culpados fora da nossa casa, fora do nosso alcance.

Sempre foi assim e acho que será ainda por um bom tempo antes que possamos observar as leis de ação e reação funcionando na prática.

Ora, basta fazermos uma pergunta muito simples: Porque alguns, e não todos, utilizam recursos suicidas? Então, esta simples pergunta terá que nos levar a uma conclusão de que o instrumento disponível vai ser utilizado de acordo com o íntimo de cada um.

Quando Santos Dumont inventou o avião, jamais ele poderia imaginar que seria utilizado para fins bélicos. Jamais! Mas foi. Ora, vamos condenar as grandes invenções porque algumas pessoas as utilizam para o mal? Claro que não, não é mesmo?

Quando alguém delibera um jogo em que uma pessoa já sabe que será incentivada a cometer um suicídio, estamos diante de alguém com problemas íntimos. É a intimidade deste indivíduo que deve ser questionada, e não o objeto externo. Uma faca serve para se matar assim como para cortar pão. Ora, sejamos razoáveis. Mata-se quem tem vontade, predisposição e problemas emocionais graves. Mata-se, seja como for, que está em profundo desequilíbrio e encontra um meio. Encontrando um meio propício, dá-se o fato.

Se dermos mais importância ao instrumento utilizado do que ao que realmente importa, estaremos retirando de nós a responsabilidade de interferir na vida do indivíduo que está desequilibrado e precisando de um olhar: dos pais, dos educadores, ou de quem for responsável.

Uma pessoa em desequilíbrio dá sinais! Estamos cegos aos sinais? Não estamos conseguindo ser próximos o suficiente de nossos filhos para percebermos que algo não vai bem? Esta é a questão.

E, os motivos que levam pessoas a quererem tirar a própria vida e às vezes conseguirem, são vários, são individuais, são de uma ordem muito mais subjetiva que não queremos ou podemos admitir.

Precisamos atentar a isso.

Um abraço a todos,

Carmem Farage

RECEITA DE FIM DE ANO

lavender-1573049_1920Vou contar pra vocês o que eu faço todos os anos na véspera da virada.

Independente do fato de que as festas pipocam por todos os lados, independente se eu participo delas ou não (vai depender de como estou no determinado ano), eu não abro mão de fazer um bom balanço e criar uma “receita” para o próximo ano.

Isso porque eu compreendo o fim de ano como um momento de dar uma parada – uma mini parada, na verdade – porque a vida não para não minha gente e esse negócio da gente querer que a vida pare me parece mais uma grande fuga do que tudo o mais.

É claro que sei que culturalmente estamos inseridos num contexto onde as férias escolares coincidem com as festas de fim de ano e logo depois carnaval. E que aqui, no Brasil, a gente gosta de emendar tudo e fazer uma festa só desde o natal, passando pelo réveillon, emendando em janeiro e desembocando no carnaval… Mas juro que acho que não deve ser assim não! Estamos acostumados a procrastinar tanto, que não percebemos que acabamos caindo no equívoco de adiar as metas. Adiar as metas é colecionar frustrações porque festa é, na verdade, um grande e colorido vazio. Não dá em nada no final. Festa, gente, serve só para fugir um pouco da rotina e desanuviar a mente. Não pode se estender por meses. Não dá certo.

Então, como eu estava dizendo, costumo fazer, no fim do ano, uma parada, um balanço e uma receita. Nesta ordem.

Estou pensando em como foi o ano de 2016. Sob muitas perspectivas, dentro e fora de mim. Dentro de mim, me sinto bem. Penso que mudei um pouco mais. Cresci um pouco mais profissionalmente, tive um bom controle financeiro que me permitiu chegar ao fim do ano com uma reserva financeira para aguentar as festas de fim de ano e as contas de janeiro e emocionalmente eu me sinto forte, pois consegui realizar ações que precisava já há algum tempo com determinadas pessoas.

Fora de mim, penso no Brasil, que não andou como eu esperava, e continua andando na contramão dos meus conceitos particulares de como deveria ser a nossa sociedade, e isso me entristece um pouco, pois constato que o mundo ainda precisa mudar muito no quesito mais amor ao próximo e menos ganância.

Penso que todos deveriam fazer assim: estou bem profissionalmente? Estou bem financeiramente? O que eu gostaria de mudar para o próximo ano? O que eu preciso alcançar para atingir um equilíbrio melhor a partir do próximo ano? Quais são as ações necessárias para que eu atinja tais e tais metas? Quais são os meus defeitos pessoais que me impedem de caminhar conforme eu gostaria? Quais meus pontos fortes e quais meus pontos fracos? Como posso fazer para atingir um equilíbrio neste ano?

E por fim, vamos à receita: traço um passo a passo.  Coloco em ordem de importância e urgência o que penso que devo fazer durante o ano. Exemplo: em fevereiro vou tirar 15 dias de férias. Em março, começo a escrever um novo livro. No segundo semestre, início de um novo mestrado.

Também faço metas a médio e longo prazo: continuo fazendo uma poupança à parte para trocar de carro em 2019. Daqui a 5 anos deverei escrever 3 livros e aprofundar em tais e tais estudos. Eu me vejo assim e assado daqui a 10 anos… 🙂

Escrevo tudo numa cartinha e guardo na agenda nova. À medida que o ano transcorre, vou vendo se encaixa a minha expectativa com a realidade, pois nem sempre é possível realizar o que desejamos.

Mas mesmo quando não podemos executar aquilo que desejamos, certamente estaremos conscientes daquilo que somos e isto facilita a realização dos nossos sonhos ou quem sabe, a adaptação deles á nossa realidade.

Mesmo que eu tenha que mudar, reajustar, ou adiar, sei o que quero porque sonhei algo bom para mim. Desejar é o primeiro passo. Dizer para si mesmo seus sonhos é fundamental para que nossa mente realize.

Nosso destino é permeado pelas muitas possibilidades. E somos nós que vamos definir quais delas irão se realizar.

Desejo a todos um ano novo repleto de grandes mudanças e realizações dos melhores sonhos!

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Carmem Farage

Noel e as famílias

child-577010_1920Quando dezembro começou, minha expectativa de natal já estava totalmente distorcida. Aguardei a chegada da cirurgia de minha filha que estava marcada há uns 30 dias.

E assim se deu: dia 12 estávamos todos no hospital: ex-marido, filhos, noras, genros. Todos girando em torno daquilo que mais importava.

Minha filha decidiu por uma cirurgia bariátrica e nós (eu), concordando ou não (mãe velha não manda mais), estávamos envolvidos na coisa toda.

Entre dividir o tempo no hospital e consultório, me deparei com o pensamento de que estamos há  duas semanas do natal.

-Preciso escrever um texto sobre o natal, pensei eu. Mas como, se minha cabeça está em outra coisa? Nada de natal! Só penso na cirurgia e na minha filha que irá viver um grande período de recuperação intensa, onde deverá passar por uma abstinência alimentar e ser submetida a uma adaptação a uma nova vida que exigirá dela horrores.

Vamos desmarcar a ceia? Como fazer uma ceia diante do quadro? Não, vamos fazer uma sopa chique que aí fica tudo bem. Todos nos empenharemos em não comer  para não perder o clima do natal, mas vamos fazer o natal, com decoração, presentes, todo mundo junto mesmo assim.

Bem, isso tudo me fez realmente pensar no natal. Na grande e definitiva razão do natal: A família!

De repente me veio a luz. Mesmo que eu não esteja na correria das lojas e compras e comidas, estou aqui fazendo um esforço para manter a reunião da família. E então, afinal, nada está distorcido!

Hoje as famílias são de uma diversidade enorme. Tudo está muito mudado (graças a Deus!). Casamentos gays, ajuntamentos, ficantes, filhos dos outros casamentos, tudo junto e misturado, solteiros convictos, filhos adotivos… Mas o importante é relaxar e aproveitar.

O Noel só fica feliz se apreciarmos e avalizarmos nossas famílias.

Todo fim de ano, a data cristã mais conhecida no mundo, vai servir para , de uma forma ou de outra, encararmos o fato de que temos afetos importantes a conservar e este é o sentido simbólico deste dia em que se comemora o nascimento do menino Jesus.

Natal é nascimento e através da figura de Jesus, entendemos que o maior presente é nos sentirmos protegidos no ceio da família. Trocamos presentes e nos alimentamos juntos, simbolizando todos os anos um renascimento familiar. Como se disséssemos: estamos aqui, estamos juntos e estamos para o que der e vier.

Nossa ceia vai ser sopa, mas os corações estão cheios de amor.

Feliz Natal a todos!

Carmem Farage

Carmem Farage

A FONTE

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Trata-se do mar de energia que nos cerca no qual todos  nadam como peixes, sem perceber sua vastidão…

O espaço que pensamos ser um vazio, que rodeia todos os objetos e seres, é recheado de energia vibracional que, ao utilizá-la, poderá produzir energia suficiente para abastecer todo o nosso planeta por muito, muito tempo…e enviar uma ou duas espaçonaves pela galáxia afora quase à velocidade da luz. É chamado “o campo do ponto Zero”!

Cientificamente é muito instigante a existência de um “campo de todos os campos” ou “fonte original de energia”.

Pessoas de todas as origens e culturas acreditam que a mente possui o poder de ultrapassar os cinco sentidos e de receber informações de fontes localizadas além das fronteiras do espaço e do tempo.

Na parapsicologia, por exemplo, que é o estudo científico de certos acontecimentos que ocorrem com seres humanos e animais, acontecimentos estes que incluem: percepção extra-sensorial (sexto sentido), psicocinesia e telecinesia (ações da mente sobre a matéria), clarividência, experiências de quase-morte, experiências fora do corpo (viagens astrais), premonição, memória de vidas passadas, poltergeist.

A Parapsicological Association é uma organização internacional de respeitados cientistas que adota métodos científicos para avaliar fenômenos psi, a fim de construir um banco de dados abrangente e promover estudos sérios.

Em seu site, justifica-se seu interesse pelos fenômenos Psi por causa de suas implicações:

  1. Que os conhecimentos da ciência tradicional cartesiana sobre a natureza são incompletos.
  2. Que as supostas capacidades e limitações do potencial humano foram subestimadas.
  3. Que as suposições fundamentais e as crenças filosóficas a respeito da separação entre mente e corpo talvez sejam incorretas.
  4. Que as suposições religiosas a respeito da natureza dos “milagres” podem estar erradas.

Todas estas constatações abrem espaços enormes para dúvidas. O que é muito bom! Ainda estamos engatinhando em conhecimentos nesta terra.

Penso que somos seres de luz, habitando um universo holográfico, nadando em um mar de energia. Podemos desenvolver muitos outros sentidos além dos cinco que possuímos para construir nosso próprio universo!

“Acredite naqueles que estão buscando a verdade; duvide daqueles que a encontraram” – André Gide.

Todos sabemos de alguma coisa. Os estudiosos dos fenômenos paranormais sabem de alguma coisa. Os físicos sabem de alguma coisa. Aqueles que trabalham em pesquisas na área do cérebro e da consciência sabem de alguma coisa. A ciência sabe de alguma coisa – e a religião também. Mas ninguém sabe de tudo!

Se pudermos parar de negar o que o outro sabe, que é diferente do que sabemos, poderemos chegar a saber cada vez mais.

Precisamos dar passos para fora de nossa zona de conforto e fazer perguntas mais ousadas, mesmo sabendo que, por enquanto, não teremos respostas para elas – mesmo sabendo que as respostas virão de lugares que nunca julgamos possíveis nem aceitáveis.

Digamos para nós mesmos: estamos abertos ao universo!

Penso que o que todos os conhecimentos juntos querem nos mostrar neste momento é que há uma mágica no ar: todos sabemos dos poderes da nossa mente. Terapeutas de diversos credos e escolas, dotados de fé, convicção e amor, realizaram e realizam curas, exorcismos e incursões no mundo astral, de maneira consciente ou não. Tudo é feito a partir de manipulação de energias sutis da natureza, utilizando os poderes da mente.

A Bíblia, no Velho Testamento e no Novo, é riquíssima em relatos sobre tais fenômenos. Outros textos, considerados sagrados ou não, também nos mostram coisas que se conseguem com a força da mente. A obra espírita de André Luiz, psicografada por Chico Xavier, está recheada de relatos do emprego das energias da mente e sua ação no mundo astral.

Também a ciência, através da Metapsíquica, da Parapsicologia e de outros ramos da ciência psíquica, trata das forças da mente.

Existe ainda uma sabedoria popular em todos os povos, culturas e credos que nos legaram o conhecimento intuitivo das forças extraordinárias vindas da mente humana.

Utilizando a observação e munindo-nos de coragem de admitir que é possível, vamos aprender a dirigir nossa vontade no sentido de construir, utilizando-nos de vibração sutil na ação mental concentrada.

Precisamos aprender a ir para além do universo emocional e atingir camadas cada vez mais sutis. Aprender que, através da mente, podemos reconstruir o mundo.

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Carmem Farage – Fundadora do Instituto Lumni – casa de cura quântica

NO TERRITÓRIO DAS SOMBRAS.

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“ Tu és nuvem, és mar, esquecimento

És também o que perdeste em um momento

Somos todos os que partiram…” – Jorge Luis Borges.

Instituído um dia para o luto, o dia 2 de novembro força-nos a sacralizar socialmente aquilo com o qual não queremos nos deparar: a morte!

Hoje é o dia institucionalizado para pararmos um pouco e pensar neste fato inevitável que tomou de nós quem amamos, e que tomará a nós próprios inevitavelmente. O mal estar diante da verdade incontestável deverá servir de ferramenta de reflexão.  Afinal, quem somos nós e o que estamos fazendo aqui neste mundo finito, num corpo finito, correndo riscos todos os dias, sem saber se no próximo minuto já não estaremos mais por aqui?

A fim de  viver menos superficialmente a questão do fim inevitável, gosto de trazer à mente reflexões importantes que possam servir de apoio ou de abertura de possibilidades em minha mente.  Desta forma, sinto-me integrado ao que é natural e ao que supostamente será para além da natureza humana.

Estamos num planeta finito, habitando temporariamente um corpo finito, aprendendo a trilhar o caminho juntamente com outros seres que, embora semelhantes, profundamente diferentes em suas individualidades. Cada indivíduo único, habitante de um corpo único, não consegue em sua jornada terrena, viver sozinho. Precisamos uns dos outros para que a jornada se prolongue ao máximo possível.

Freud nos fala que a vida acontece sob angústia. De fato, nosso corpo é arrancado do corpo materno sem que possamos dominar a nós mesmo, e este estado de completa impotência de existir  sozinhos irá perdurar a vida inteira.

Ao sairmos para a vida, somos reduzidos a uma metade. Seccionados do corpo materno, procuramos, pelo resto de nossas vidas, sobreviver. Desejamos, para sempre, encontrar uma metade que nos complete. Nossos pais, suprem em parte este anseio e nossos amigos e companheiros, tentam fazer o mesmo.

Dominados pela emoção da incompletude e da iminência de perder aqueles em quem depositamos nossas necessidades afetivas e amorosas, vamos tentando não pensar no fim. Pois o fim seria a desistência. Quem desiste, cai em melancolia e se aproxima do fim antes do fim.

Quando perdemos alguém a quem amamos, vivemos o luto. Passamos a habitar o território das sombras. Este estado de desamparo diante da perda, povoa nosso imaginário como sendo a ilusão de que estamos seccionados novamente, como quando saímos do corpo de nossa mãe. Desta forma, a cada morte vivida ou imaginada, nos deparamos com nossa incompletude e impotência diante deste mundo onde ainda não aprendemos a dominar.

Neste momento, quero falar então daquilo que eu penso sobre o destino dos Homens.

Se pudermos refletir sobre o passado, podemos apreender, de forma intuitiva, que o ser humano ao nascer seccionado, vem aprendendo a manipular a matéria do qual é feito todos os corpos do plano físico da terceira dimensão, a fim de poder se sentir novamente no controle de si.

Desta forma, vemos, por exemplo, o homem das cavernas tendo que aprender a controlar um mínimo de coisas para sobreviver. Ao longo dos tempos, preste atenção: não é isto que temos feito? Dominando a matéria para que possamos conseguir prolongar a vida. Tentando driblar a morte através do domínio da matéria, estamos conseguindo prolongar a vida e, de fato, hoje podemos viver quase que o dobro de tempo que nossos antepassados de 200 anos atrás.

Juntamente com este caminho de domínio sobre a matéria, estamos trilhando um caminho de reconhecimento pessoal. Nossa vida afetiva pode ser resumida na busca de reconhecimento. Se não somos nossa mãe, quem somos então? Eu sou alguém que pode viver e criar algo a partir de minha própria mente.

O que é a  mente? Vejam, eu não disse cérebro. Eu disse mente: Essa coisa inexplicável que está para além do cérebro. Se sou dotado de uma capacidade criadora para além do físico, então há algo desconhecido em mim para além da matéria, que me impulsiona a continuar a criar em vida mesmo estando diante da minha incompletude.

Grandes almas que vieram ao mundo, sob o mesmo signo da matéria, vieram para nos apontar caminhos possíveis para além da matéria. Pessoas que viveram para mostrar que tudo é passageiro e justamente por isso devemos estender a visão para além de nossas angústias pessoais.

Segundo Teillard de Chardin, não somos seres humanos que possuem almas. Somos almas tendo uma experiência física. Desta forma podemos ter coragem de superar em nós nossas emoções pessoais e diante da morte vislumbrar ou reconhecer o fim de um ciclo e o início da próxima jornada.

A visão de que a morte é o fim deste ciclo na matéria nos liberta do fardo da angústia e do luto narcísico que tendemos a nutrir diante das perdas.

Enquanto seres humanos devemos nos acostumar ao paradigma existencial onde a vida precisa ser criada e a morte reverenciada como a possibilidade de ultrapassar um estado limitante na matéria.

A mágica se dará na medida em que cada um assumir sua individualidade. Somente aprendendo a controlar a vida com as próprias mão, livres no poder da criação estaremos prontos para morrer e deixar o outro ir também. Sair das sombras e alcançar a luz!

Carmem Farage
Carmem Farage

Isto é minha imaginação?

imaginacao-e-tudo-o-que-voce-precisa-2Eu me deparo com a pergunta que mostra a descrença das pessoas quando se trata de acreditar naquilo que elas mesmas pensam e sentem. Não é raro, infelizmente, ouvir a frase, como se a imaginação fosse um monstro devorador distante de nós e, ao mesmo tempo, à espreita pronto para nos dar uma rasteira!

Como se a nossa imaginação não fosse nossa…ou não fosse nada…ou não fizesse parte de nós!

Diante do insólito que a imaginação traz, ficamos mesmo sem compreender racionalmente o significado dela, pois o conteúdo imaginativo não é totalmente do “mundo” consciente. Vamos procurar explicar como funciona o fluxo mental e consequentemente, o que de fato, é a imaginação.

Para conseguirmos lidar com os objetos, criamos imagens que os representam  pois a maior parte dos objetos externos são desconhecidos de nós, estão fora de nós. Desta forma, conhecemos apenas as imagens do mundo externo que são produzidas por nossa mente.

Portanto, a mente é o veículo do EU! A mente é como um espelho que reflete as imagens dos objetos:  Apenas A IMAGEM e não os objetos em si. Portanto, nosso EU é feito de IMAGENS!

Se não conhecemos as coisas em si, só conhecemos o EFEITO que essas coisas produzem em nossa consciência.

Temos, portanto, em nossa estrutura psíquica, somente o efeito que as imagens dos objetos nos deixam.
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Embora se pareça com um espelho, a mente vai além. Não é mero reflexo, mas a reprodução do objeto. A imaginação, portanto, é a matéria mental que assume a forma do objeto e nós reproduzimos este objeto e o guardamos em nosso inconsciente, transformando em experiência, que por sua vez determinará como seremos; como será nossa personalidade.

Quando, algum dia, o conhecimento trouxer à tona o que armazenamos, e a isto vamos chamar: TOMAR CONSCIËNCIA, vamos nos identificar e desenvolver o poder de reproduzir a imagem armazenada em matéria real.

Explicando melhor, a imaginação é o primeiro passo de uma cadeia onde o fim é a criação. Nosso processo evolutivo, portanto, depende de nossa capacidade criativa, do nosso poder de imaginar em primeiro lugar para em seguida nos identificarmos com a imaginação e partirmos para o ato da criação.

O Dr. Jorge Adoum assim resumiu: “O pensamento esboça uma ideia e forma uma imagem mental; a imagem mental impele o homem ao ato; o ato é a origem do hábito; a repetição do ato forma o caráter e o caráter é o pai da vontade”.

Ainda estou para compreender porque as pessoas tem tanto medo de valorizar sua imaginação. Será por medo das mudanças? Porque logicamente, se eu der “asas” à minha imaginação, vou provocar mudanças em mim e no mundo à minha volta! E vejo o tanto que as pessoas se acomodam no mais ou menos do dia-a-dia pronto, feito pelo coletivo Medíocre ( no dicionário  de português: O que é medíocre: Mediano; sofrível; meão; insignificante). Alguém disse uma vez que uma mudança é como uma pedra lançada num lago calmo que através de círculos concêntricos vai sacudir todo o lago!

Tomar consciência daquilo que armazenamos ao longo da existência é fundamental para nosso crescimento e consequentemente, mudamos todos! Sair do mediano e poder dar saltos evolutivos é o que viemos fazer na vida.

Vamos, portanto exercitar a força da imaginação. Tenho certeza que iremos melhorar nossa vida, nossa qualidade de vida a passos largos. Pense em como o mundo é hostil e em como queremos nos afastar de tudo o que nos constrange e nos impede de ter paz de espírito.

Creia, será pela imaginação.

Carmem Farage
Carmem Farage

O COTIDIANO SEM ESTRESSE

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Estresse

Em nossa luta pela vida, nós, seres humanos, nos defrontamos com momentos de dificuldades que, em maior ou menor grau, podem resultar numa ameaça para a manutenção e o equilíbrio da vida. Em face a uma dificuldade, num momento de tensão ou de risco à integridade, o organismo se prepara para enfrentar o perigo. Em sua preparação, ele promove uma série de modificações internas, que podem ser entendidas como mecanismos de ajuste para a luta. Dependendo da intensidade do esforço e da constância exigida, o organismo poderá:

Voltar ao equilíbrio normal, ou necessitar de um período (além de recursos ou de cuidados especializados) para atingir sua recuperação ou sucumbir totalmente; ter partes de seus órgãos e sistemas comprometidos.
A isso vamos chamar Síndrome de estresse: Conjunto de reações -orgânicas e psíquicas- que são decorrentes de um ou mais estímulos capazes de ameaçar a integridade da vida.
Podemos distinguir 3 fases distintas do stress : 1 – reação de alarme; 2 – fase de resistência e 3 – fase de exaustão.

Na fase de alarme, numa situação de perigo ou susto, como quando um cão late agressivamente, quando você passa desavisado em frente a um portão – a gente se vê tendo uma reação de tensão, onde o organismo aciona a fabricação de substâncias como a adrenalina que faz o coração bater mais forte e rapidamente, a respiração torna-se acelerada e o organismo procura liberar calor (suando frio). O estômago, tendo que interromper seu trabalho para poupar energia, gera a clássica sensação de frio na barriga.
Desse modo, as mãos suadas, a taquicardia, a respiração ofegante, a dor na barriga, o tremor nas pernas, a hipotonia (perda do tônus muscular) e a hipertermia (aumento do calor do corpo) são sintomas num primeiro momento de alerta. Paralelamente a tais reações, a pressão arterial pode subir, e os níveis de glicemia no sangue tendem a aumentar.
Superado o risco, o organismo tende a voltar ao ritmo normal.
Mas, nem sempre o perigo pode ser superado de imediato. Então, o organismo prepara-se para resistir.
Nesta fase, pode parecer que está tudo bem, mas o organismo continua a trabalhar em regime forçado.
A temperatura, antes alterada, pode voltar ao normal. A hipotonia poderá ser substituída pela rigidez muscular e os batimentos cardíacos estabilizam-se num ritmo de 20 a 30% mais acelerado que o normal. A digestão se torna mais lenta e a pressão arterial também se estabiliza em níveis altos, que de tão comuns passaram a ser considerados normais.

Dores nas costas, de cabeça, insônia ou dormir demais, má alimentação podem ser indicativos de um período de resistência.
Pode ser muito difícil identificar a resistência. É fácil às vezes comentar um susto que passamos ao presenciarmos um acidente por exemplo. Mas pode ser difícil nos conscientizarmos de uma dificuldade conjugal que nos ameaça no dia a dia ou de uma situação emocional antiga, da qual a gente não se lembra mais, mas que continua a agir em nosso inconsciente. Sim, porque o inconsciente é atemporal, ou seja, o que ficou armazenado lá, continua fazendo efeito em nós, mesmo que não saibamos disso, indefinidamente.

Desse modo, corre-se o risco de passar à exaustão, onde os sintomas voltam a ser semelhantes à fase inicial de alarme.
Dependendo das características de cada indivíduo, a exaustão poderá se expressar como: lesão, paralisação ou esgotamento de determinados órgãos ou tecidos específicos do corpo, podendo até, em casos extremos, levar à morte.

Podemos entender a exaustão como um esgotamento generalizado, quando baixam as defesas do organismo e seus sistemas são desarticulados.
Todos nós estamos sujeitos ao estresse: seja pelas condições externas de vida(qualidade de vida) seja por condições internas (história familiar conflituosa, principalmente na infância) que ficam no inconsciente, como dizia Freud, proliferando no escuro.
Vale lembrar os principais sintomas do stress:

– Cansaço constante;
– Irritabilidade;
– Dificuldade de concentração;
– Perda de memória;
– Perda ou excesso de apetite;
– Insônia ou sono exagerado;
– Flutuações do estado emocional;
– Fobias(medos aparentemente infundados);
– Desmotivação;
– Perda da criatividade;
– Perda de interesse sexual;
– Problemas gastrointestinais;
– Dores de cabeça, enxaquecas;
– Vulnerabilidade (baixa das defesas orgânicas ou psíquicas);
Seria impossível enumerar todos os estressores.

O nosso corpo pode absorver ou expressar as tensões ou conflitos pelos mais diversos canais. Uma pressão emocional intensa pode se manifestar numa criança, por ex., através de uma crise de asma. A sensação de opressão, de sufocamento, manifesta-se no tórax, especialmente nos brônquios.
A vida psíquica é, por via de regra, a grande responsável pelo estresse. Porque normalmente não temos posse ou consciência da nossa vida interior.
A pessoa que se reconhecer estressada, seja em forma de confusão mental, ansiedade, depressão ou pânico, deve aprender a usar as armas que possuímos e que não são muitas. Dependendo do grau em que se encontre, é aconselhável que um apoio farmacológico seja feito, desde que se entenda que o estresse é o sinal de alarme de que algo não vai bem. E que obviamente, se acabarmos com o sinal, estamos sujeitos a esconder a via que nos levará aos fatores desencadeantes, portanto, a medicação pode fazer um efeito indesejado e esconder de nós aquilo que precisamos para chegar à fonte dos problemas.

A arma mais poderosa que possuímos é o nosso EGO.
Nossa razão, nossa personalidade. Temos, então, que aprender a prestar atenção aos nossos sentimentos e interligá-los aos nossos sintomas. O processo de autoconhecimento é fundamental para fortalecer o ego. Na maioria das vezes, vivemos como se não tivéssemos passado ou como se o passado não fizesse diferença no presente. Dominar nossa história é fortalecer o ego. É fortalecer a razão para dominar a emoção. Muitas vezes, principalmente se nossos conflitos nos remetem à infância, precisamos da ajuda de um profissional -terapeuta conhecedor de técnicas profundas que nos leve ao passado – para reorganizarmos nosso interior. É muito difícil conseguir sozinho ultrapassar a barreira do inconsciente.
A outra arma que possuímos é a qualidade de vida.
A busca de um equilíbrio no cotidiano. Alternar a rotina com lazer. Isso é muito importante. Não pensem que devemos, quando estamos estressados, acabar com a rotina. Muitas pessoas pensam que se pararem de trabalhar, ou se largarem tudo para tirar longas férias, estarão acabando com o estresse. Na verdade, o correto é buscar um equilíbrio constante. O ideal é que possamos trabalhar bem naquilo que mais gostamos e termos recompensa financeira por isso. É verdade que nem sempre é possível. Mas não devemos desistir de encontrar uma solução. Para cada caso há uma solução. A rotina é imprescindível. Devemos manter a rotina com prazer. Deve-se estabelecer organizadamente os dias rotineiros sem nos esquecermos dos hobbies. Investir no ambiente familiar, fazer do seu espaço físico um lugar agradável para você, onde tenha prazer em chegar e relaxar da rotina.
Ter uma vida saudável, com bons hábitos de alimentação, sem vícios, manter contato com a natureza, encontrar um hobby, ter uma casa agradável com uma boa área de lazer e, além disso, cuidar da força do ego, são coisas que podemos determinar como meta para vivermos melhor e sem estresse.

Carmem Farage
Carmem Farage

Psicóloga e psicanalista, especialista em regressão de memória, Acupuntura e Medicina Chinesa e formação independente em Reiki Usui Tibetano, Apometria Clínica, Parapsicologia e Mediunidade. Criadora da TERAPIA LUMNI no Instituto Lumni. Autora do Livro: Para além do ser – a cura quântica